sexta-feira, 13 de março de 2009

Defumação

A DEFUMAÇÃO

A defumação é essencial para qualquer trabalho num terreiro de Umbanda. É também uma das coisas que mais chamam a atenção de quem vai pela primeira vez assistir a um trabalho.

Em geral a defumação na Umbanda é sempre acompanhada de pontos cantados específicos para defumação.

Histórico Sobre a Defumação:

Desde os tempos imemoriais, dos homens das cavernas, que a queima de ervas e resinas é atribuída à possibilidade da modificação ambiental, através da defumação. Na Umbanda, como em outras religiões, seitas e dogmas, também nos usamos desse expediente, que tem a função principal limpar e equilibrar o ambiente de trabalho de acordo com a necessidade.

Há 4.000 anos, existia uma rota de comércio onde se cruzavam as culturas mais antigas do Mediterrâneo e África. E foi bem no meio desta rota que nasceu a maior civilização desta época: “O Egito”

A antiga civilização do Egito era devotada em direcionar os sentidos ao Divino. O uso das fragrâncias era muito restrito. As fragrâncias dos óleos eram usadas como perfumes, na medicina e para uso estético, e ainda, para a construção nos rituais. Isto confirma que no Egito se utilizava o incenso desde os tempos antigos.

Quando o Egito se fez um país forte, seus governantes importaram em terras distantes, incenso, sândalo, mirra e canela. Os faraós se orgulhavam em oferecer às deusas e aos deuses enormes quantidades de madeiras aromáticas e perfumes de plantas, queimando milhares de caixas desses materiais preciosos.

Todas as manhãs as estátuas eram untadas pelos sacerdotes com óleos aromáticos.

Sem dúvida o incenso egípcio mais famoso foi o kyphi, que se queimava durante as cerimônias religiosas para dormir, aliviar a ansiedade e iluminar os sonhos.

Os Sumérios ofereciam bagas de junípero como incenso à deusa Inanna. Mais tarde os babilônios continuaram um ritual queimando esse suave aroma nos altares de Ishtar.

Tudo indica que o junípero foi o incenso mais utilizado, eram usadas outras plantas também, madeira de cedro, pinho, cipreste, mirto, cálamo entre outras que eram oferecidas às divindades.

O Que é a Defumação?

Ao queimarmos as ervas, liberamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético aglutinado em meses ou anos absorvido do solo da Terra, da energia dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas. Deste modo, projeta-se uma força capaz de desagregar miasmas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, etc.

Existem, para cada objetivo que se tem ao fazer-se uma defumação, diferentes tipos de ervas, que associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem reações agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujas auras são agressivas, repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os antigos Magos, graças ao seu conhecimento e experiência incomuns, sabiam combinar certas ervas de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que tencionavam turbar-lhes o trabalho de magia.

Apesar das ervas servirem de barreiras fluídico-magnéticas pra os espíritos inferiores, seu poder é temporário, pois os irmãos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente por nossos pensamentos e atos turvos, que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades). Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e atos.

Existem dois tipos de defumação; a defumação de descarrego e defumação lustral.

Defumação de descarrego

Certas cargas pesadas se agregam ao nosso corpo astral durante nossa vivência cotidiana, ou seja, pensamentos e ambientes de vibração pesada, rancores, invejas, preocupações, etc. Tudo isso produz (ou atrai) certas formas-pensamento que se aderem à nossa aura e ao nosso corpo astral, bloqueando sutis comunicações e transmissões energéticas entre os ditos corpos.

Além disso, os lares e os locais de trabalho podem ser alvos de espíritos atrasados, que penetram nesses ambientes e espalham fluídos negativos.

Para afastar definitivamente estas entidades do nosso convívio, teremos primeiro que mudar em atos, gestos e pensamento, afastando de nossas mentes aquela corrente que nos liga a estes seres.

A defumação serve para afastar seres do baixo astral, e dissipar larvas astrais que impregnam um ambiente, tornando-o pesado e de difícil convivência para as pessoas que nele habitam.

Pois bem, a defumação tem o poder de desagregar estas cargas, através dos elementos que a compõe, pois interpenetra os campos astral, mental e a aura, tornando-os novamente "libertos" de tal peso para produzirem seu funcionamento normal.

E por esse motivo, Deus entregou a Ossãe as ervas que, seriam usadas para destruir tais fluídos e afastar estes espíritos.

Comece varrendo o lar ou o local de trabalho, e acendendo uma vela para o seu anjo de guarda. Depois, levando em uma das mãos um copo com água, comece a defumar o local da porta dos fundos para a porta da rua.

Defumação Lustral

Além de afastar alguns resquícios que por ventura tenham ficado depois da defumação de descarrego, ela atrai para estes ambientes, correntes positivas dos Orixás, Caboclos, e Pretos Velhos, que se encarregarão de abrir seus caminhos.

Acenda uma vela para o seu anjo de guarda. Levando um copo com água, comece a defumar sua casa ou o seu local de trabalho, da porta da rua para dentro.

Não esqueça que a defumação lustral deverá ser feita depois do descarrego.

Ervas e Funções:

Abacate

Amor purificação, saúde, felicidade.

Abre Caminho

Abre os caminhos, atraindo bons fluidos dando força e liderança.

Acácia

Proteção, contra pesadelos e proteção do sono.

Açafrão

Purificação, saúde, felicidade.

Agrimônia

Dissolução de influências negativas e proteção

Alecrim

Defesa dos males, tira inveja e olho gordo, protege de magias. Afasta maus espíritos e ladrões. Felicidade, cura, proteção, purificação e justiça. Ajuda na recuperação e no tratamento de doenças. Atrai a falange dos Caboclos. Proteção na área profissional. Estimulante para concentração, adivinhação, memória e estudos.

Alfafa

Prosperidade, dinheiro, felicidade.

Alfazema

Limpa o ambiente e atrai prosperidade e bons negócios, bem como pessoas amigas. Acalma, purifica e traz o entendimento, equilíbrio e harmonia. Amor, sorte e proteção espiritual em todos os aspectos. Favorece a clarividência

Almíscar

Afrodisíaco, amor.

Amêndoas

Dinheiro, prosperidade, sabedoria.

Amora

Saúde, dinheiro, proteção.

Angélica

Proteção, purificação, saúde, clarividência.

Anis Estrelado

Propicia boas amizades, bons caminhos, paz e triunfo. Adivinhação, purificação, sorte, amor. Atua tanto no nível material quanto no emocional, produzindo estímulo de natureza positiva. Renova as energias e atrai proteção espiritual contra qualquer mal.

Arnica

Clarividência

Arroz

Fertilidade.

Arruda

Defende dos males, remove o efeito de feitiços, corta correntes negativas. Intensifica a força de vontade auxiliando a pessoa que a usa a realizar seus desejos. Proteção.

Assa-Fétida

Exorcismo, proteção.

Babosa

Proteção, sorte e amor.

Barbatimão

Espiritualidade, purificação.

Bardana

Saúde, proteção.

Baunilha

Amor, sedução.

Beladona

Limpeza de ambientes.

Benjoim

Elimina bloqueios espirituais Atrai energias positivas e combate energias negativas. Purifica o ambiente. Harmoniza nosso raciocínio e diminui a nossa agressividade. Destrói as larvas astrais. Elimina bloqueios espirituais. Para pedidos de ajuda a deus.

Calêndula

Proteção, solução de problemas,

Camélia

Prosperidade, riqueza.

Camomila

Dinheiro, amor, purificação.

Canela

Atrai prosperidade. Favorece os negócios, bens materiais, amor, sucesso.

Cânfora

Desenvolvimento psíquico, clarividência, saúde.

Cardamomo

Sedução, amor

Cardo Santo

Cura, defesa, quebra olho gordo.

Carvalho

Fertilidade

Cascara Sagrada

Problemas com a justiça. Dinheiro e proteção.

Cavalinha

Fertilidade.

Cebola

Proteção, saúde, dinheiro.

Cipó Caboclo

Elimina todas as larvas astrais do ambiente.

Cipreste

Longevidade, saúde.

Colônia

Atrai fluidos benéficos.

Cravo da Índia

Protege de pessoas mal intencionadas, pensamentos negativos subconscientes. É uma das mais poderosas defumações protetoras. Chama dinheiro e dá força á defumação.

Dama da Noite

É o incenso do amor. Ajuda a encontrar pessoas com a mesma afinidade.

Erva Cidreira

Sucesso, amor.

Erva Doce

Proteção.

Esterco de Vaca

Para espantar Eguns.

Eucalipto

Limpeza, energização, cura, saúde, proteção. Atrai a corrente de Oxossi.

Figueira

Clarividência, fertilidade

Flor de Laranjeira

Afasta o pânico. Aumenta a segurança e autoconfiança em assuntos emocionais e financeiros.

Flor de Maçã

Calmante.

Flor de Pitanga

Atua poderosamente na área financeira. Direciona aquisições materiais e negociações com êxito.

Folha de Bambu

Afasta espíritos vampiros.

Freixo

Adivinhação, cura, proteção, prosperidade.

Gengibre

Dinheiro e sucesso.

Gerânio

Força e vitalidade, calmante e harmonizante. Alivia tensão nervosa.

Ginseng

Amor, realização de desejos, beleza, saúde, proteção e poder.

Girassol

Fertilidade.

Guiné

Atua como um poderoso escudo mágico contra malefícios.

Hortelã

Bom para problemas de saúde e equilíbrio emocional. Estimula apetite.

Incenso

Limpeza em geral, destrói as larvas astrais. Aliado a outros elementos potencializa os efeitos dos mesmos.

Jasmim

Acalma e ajuda a evitar brigas e desentendimentos, aclara as idéias. Melhora humor, amor, cura.

Laranja

Amor, dinheiro.

Lavanda

Cura, amor.

Levante

Abre os caminhos do ambiente.

Limão

Amor.

Lótus

Antidepressivo, usado no trabalho de resgate do equilíbrio de energias, calma e paciência.

Louro

Abre caminho, chama dinheiro, prosperidade e dá energia ao ambiente. Negócios, adivinhação, proteção, força, saúde. Atrai a corrente de caboclo.

Madeira

Estimula a razão. Aumenta a concentração necessária ao trabalho, estudo e meditação.

Madressilva

Desenvolve a intuição e a criatividade, favorece também a prosperidade.

Manjericão

Amor, purificação espiritual, proteção. Chama dinheiro.

Maracujá

Paz, amizade.

Menta

Melhora o estado de atenção. Indicado para dores de cabeça, mas se for usado em demasia pode alterar o sono.

Mil Folhas

Exorcismo, amor

Mirra

Facilita o contato com os planos superiores, criando no ambiente uma atmosfera de prece e oração. Usado para limpeza astral da casa, afasta maus fluidos e estimula a intuição. Poderoso no equilíbrio das funções do corpo, balanceando o físico e o espiritual. Descarrego forte, afasta maus espíritos. Boa sorte, meditação, cura e proteção. Incenso sagrado usado para limpar após os rituais, e durante eles. Também é usado quando se vai se desfazer alguma demanda ou feitiço. Faz vibrar a compaixão

Morango

Amor, sorte.

Narciso

Cura, sorte, fertilidade.

Noz Moscada

Adivinhação, fertilidade.

Olíbano

Cura, purificação.

Oliveira

Paz, fertilidade e proteção.

Palha de Alho

Usado para eliminar formas negativas de pensamentos obsessivos. Afasta más vibrações e maus espíritos.

Palha de Cana

Atrai melhores condições.

Patchuli

Cura a apatia, estimula o amor. Diminui a confusão e indecisão. Aguça a inteligência. Clarividência.

Pinho

Atrair encantos, fertilidade.

Pó de Café

Contra entidades negativas. Elimina formas pesadas de pensamentos e pesadelos. Benéfica para doentes em recuperação.

Rosa

Amor, espiritualidade, adivinhação, fertilidade.

Rosa Branca

Paz e harmonia

Sabugueiro

Purificação

Sálvia

Cura, contra feitiços, sabedoria, realização de desejos.

Sândalo

Amor, adivinhação, purificação.

Sangue de Dragão

Purificação.

Sésamo

Ajuda a atrair amigos, clientes e dinheiro. Estimula a criatividade e alegria.

Trigo

Fartura, dinheiro, fertilidade.

Urtiga

Exorcismo, proteção, saúde.

Uva

Fertilidade, dinheiro, fartura.

Verbena

Afasta a tristeza, negatividade e melancolia, libera de energias negativas trazendo criatividade, desenvoltura, alegria e bom astral. Meditação, amor.

Vetiver

Aliado para meditação, inspirador e calmante.

Violeta

Afrodisíaco, meditação, espiritualidade.

Incenso e “incenso”

Existe uma resina chamada incenso e os “incensos” em varetas.

O Incenso é uma resina gomosa que brota na forma de gotas da árvore Boswellia Carteri, arbusto que cresce espontaneamente na Ásia e na África. Durante o tempo de calor e seca são feitas incisões sobre o tronco e ramos, dos quais brota continuamente a resina, que se solidifica lentamente com o ar. A primeira exudação para nada serve e é, pois, eliminada; a segunda é considerada como material deteriorável; a terceira, pois, é a que produz o incenso bom e verdadeiro, do qual são selecionadas três variedades, uma de cor âmbar, uma clara e a outra branca.

Como defumar e descarregar sua residência e o seu local de trabalho.

Às vezes sentimos que o nosso lar ou nosso local de trabalho, estão pesados, inúmeras brigas e discussões acontecem a toda hora, nada dá certo, uma impaciência toma conta, do nosso ser. O ar está carregado com partículas de fluídos negativos que aos poucos vai envolvendo cada um, e tornando as coisas mais difíceis.

Temos primeiro que mudar em atos, gestos e pensamento, afastando de nossas mentes aquela corrente que nos liga a estas energias.

O descarrego destrói as larvas astrais, limpando o ambiente das impurezas, facilitando assim a penetração de fluídos positivos.

Comece varrendo o lar ou o local de trabalho, e acendendo uma vela para o seu anjo de guarda. Depois, levando em uma das mãos um copo com água, comece a defumar o local da porta dos fundos para a porta da rua, que ao final deve ser despachado em água corrente.

Podem-se usar as ervas em sua forma natural, em pó ou em pequenos pedaços moídos, em forma de casca miúda, etc. Para se queimar essas ervas, usa-se normalmente um recipiente chamado turíbulo.

Turíbulos

São recipientes de metal ou barro usados para queimar o incenso.

Na Umbanda, usam-se nas giras ou sessões públicas, o turíbulo como na figura ao lado. Para queimar as ervas usam-se normalmente o carvão vegetal. Lembrando sempre que o carvão vegetal deve estar em brasa e nunca em chamas.

A quantidade de incenso que queira queimar deve ser proporcional ao tamanho da sala e ao número de pessoas presentes. Para isso somente através da experimentação descobriremos a quantidade certa. No caso da defumação, é melhor pecar pela escassez, pois assim poderemos ir adicionando um pouco mais conforme a fumaça for diminuindo, do que acrescentar e sufocar pelo excesso (e isso pode ser até perigoso).

Como Defumamos o Terreiro:

Começamos nos defumando ainda com as cortinas ainda fechadas, não esquecendo de defumar nossos fios de conta (guias) antes de coloca-las no pescoço.

Primeiro defumamos o gongá; em seguida os atabaques e a coluna energética; depois se cruza o terreiro de um canto até o seu oposto, em diagonal; depois defuma-se a assistência.

Por fim são defumados os demais pontos vibracionais do terreiro (caboclo, cruzeiro, etc.), sendo o turíbulo deixado junto ao portão no final da defumação.

Durante todo o processo a pessoa que defuma é acompanhada por outra que leva um copo de água, que ao final é despachada e substituída por água limpa.

Ingredientes do Nosso Defumador (SEMAV):

A base são os seguintes elementos:

Alecrim

Defesa dos males, tira inveja e olho gordo, protege de magias. Afasta maus espíritos e ladrões. Felicidade, cura, proteção, purificação e justiça. Ajuda na recuperação e no tratamento de doenças. Atrai a falange dos Caboclos. Proteção na área profissional. Estimulante para concentração, adivinhação, memória e estudos.

Alfazema

Limpa o ambiente e atrai prosperidade e bons negócios, bem como pessoas amigas. Acalma, purifica e traz o entendimento, equilíbrio e harmonia. Amor, sorte e proteção espiritual em todos os aspectos. Favorece a clarividência

Benjoim

Elimina bloqueios espirituais Atrai energias positivas e combate energias negativas. Purifica o ambiente. Harmoniza nosso raciocínio e diminui a nossa agressividade. Destrói as larvas astrais. Elimina bloqueios espirituais. Para pedidos de ajuda a deus.

Mirra

Facilita o contato com os planos superiores, criando no ambiente uma atmosfera de prece e oração. Usado para limpeza astral da casa, afasta maus fluidos e estimula a intuição. Poderoso no equilíbrio das funções do corpo, balanceando o físico e o espiritual. Descarrego forte, afasta maus espíritos. Boa sorte, meditação, cura e proteção. Incenso sagrado usado para limpar após os rituais e durante eles. Também é usado quando vai se desfazer alguma demanda ou feitiço. Faz vibrar a compaixão

Incenso

Limpeza em geral, destrói as larvas astrais. Aliado a outros elementos potencializa os efeitos dos mesmos.

Às vezes acrescentamos uma ou mais das ervas abaixo:

Louro

Abre caminho, chama dinheiro, prosperidade e dá energia ao ambiente. Negócios, adivinhação, proteção, força, saúde. Atrai a corrente de caboclo.

Anis Estrelado

Propicia boas amizades, bons caminhos, paz e triunfo. Adivinhação, purificação, sorte, amor. Atua tanto no nível material quanto no emocional, produzindo estímulo de natureza positiva. Renova as energias e atrai proteção espiritual contra qualquer mal.

Palha de Alho

Usado para eliminar formas negativas de pensamentos obsessivos. Afasta más vibrações, Afasta maus espíritos.

sábado, 7 de março de 2009

Fluidos

FLUIDOS

Hoje, temos bem claro que há duas concepções distintas: mundo dos elementos materiais que rege a vida carnal e mundo inerente aos elementos espirituais que rege a vida espiritual.

A ciência dos homens aprofundou-se no estudo científico do mundo material, buscando explicar os seus elementos, suas composições, suas transmutações e conseqüências. O homem encarnado recebeu da Natureza um conjunto de percepção extremamente necessário, que brinda os seus cinco sentidos: olfato, paladar, visão, tato e audição. Esses instrumentos são úteis para a inserção do homem encarnado no mundo material. O que o homem “percebe” passa a ser de seu campo de conhecimento, de sua exploração e experiência. Assim a ciência foi desvendando certos fenômenos do mundo material.

Esse conjunto sensorial nem sempre faz efeito no que tange às coisas, aos elementos do mundo espiritual, próprios do espírito e não da matéria bruta.

Há, contudo, o extra-sensorial, destacando-se, por exemplo, a vidência, a intuição, premonição, que são meios para o homem carnal perceber que existe um sistema de vida paralelo muito mais sutil, amplo e dinâmico.

Nesta pequena introdução podemos ressaltar que, pela própria constituição do homem carnal, a pesquisa direcionou-se para as leis naturais ao tentar desvendar os fenômenos físicos. Já as explicações dos fenômenos das ações do elemento espiritual, ficam a desejar como objeto de pesquisa pela ciência.

Pela precariedade de entendimento da humanidade carnal, quase tudo o que não se conseguiu desvendar pela ciência permaneceu nos campos do milagre e do maravilhoso.

Para reverter a perversa situação de ignorância, vêm os

Espíritos evoluídos com a cabal missão de nortear os questionamentos terrestres, fornecer explicações que dão conta que o fluido cósmico é a matéria elementar primitiva.

Podemos afirmar que toda a criação de Deus está interligada, envolvida, ou mesmo grande parte constituída desse fluído elementar.

Precariamente, para dar um exemplo simplório, é como se estivéssemos (tudo e todos) como formigas presas num imenso “melaço”. O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, ou seja, é a consistência do elemento primitivo criador.

No desenrolar das tentativas explicativas esperamos que a questão fique mais clara.

Conclamamos a todos que busquem romper os parâmetros e conceitos próprios do mundo material para, livres, pesquisarem as coisas do mundo espiritual.

Fluido cósmico universal apresenta distintos momentos, podendo ser:

Eterização (tornado fluido que não se pode avaliar). .

Esta fase considera-se seu estado normal primitivo. Este estado pertence ao mundo invisível.

Materialização (que se pode ponderar, examinar e considerar). .

Esta segunda fase, se é que podemos chamá-la assim, é conseqüente da primeira; segue-a naturalmente. Considera-se este estado pertencente ao mundo material, tangível e visível.

A vida espiritual e a carnal estão intimamente envolvidas; os estados fenomênicos destas duas ordens apresentam-se muitas vezes simultaneamente. Contudo, o homem encarnado só percebe os fenômenos da natureza material ligados à vida corporal; os exclusivos da vida espiritual escapam-lhe aos sentidos. Só podem ser percebidos no estado espiritual.

Fluido cósmico em estado de eterização não é uniforme. Sem mudar sua essência modifica-se inúmeras vezes, muito mais que no estado de matéria tangível.

Estas transformações constituem fluidos distintos que, oriundos do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais. Dão lugar aos fenômenos pertencentes ao mundo invisível.

Para os homens encarnados há o contato pelos sentidos dos fluidos tangíveis, materializados, de substâncias do mundo terrestre. Para os seres espirituais, no entanto, há o contato pelos sentidos dos fluidos inerentes ao mundo espiritual.

Muitas das maneiras como se processam as coisas do mundo espiritual, reservada as diferenças intrínsecas, são parecidas com o mundo material. Por exemplo: os seres encarnados, ou as leis naturais manuseiam e combinam os elementos físicos, químicos e orgânicos para produzir efeitos determinados. Os espíritos também manuseiam, elaboram e combinam (segundo o grau de entendimento e adiantamento evolutivo) os elementos fluídicos para produzir determinados efeitos.

Chamamos a atenção que os fluidos do mundo material são de propriedades totalmente diferentes daqueles do mundo espiritual. São distintos, embora a origem tanto de um como de outro esteja no fluído cósmico universal, com grau de pureza absoluta.

Somente é dado aos Espíritos mais esclarecidos saber dos elementos constituintes de seu planeta. Assim como acontece com os pesquisadores e cientistas do mundo carnal.

Do ponto primeiro do fluido universal, puro, vai-se ao ponto extremo que é a transformação em matéria tangível. Neste percurso existem inúmeras transformações pela seqüência, perto uma das outras. Esses fluidos, segundo sua natureza, são usados pelos seres espirituais ou encarnados para as necessidades de suas existências.

Esclarecemos que o termo fluidos espirituais, a rigor, não está correto, pois o fluido é sempre matéria ainda que gêneros diferentes. De fato o que é, na essência, realmente espiritual é a alma (princípio inteligente).

Em resumo, podemos afirmar que os fluidos, como um todo, servem para suprir as necessidades do Espírito. Formam-se envoltórios corpóreos, moradas, alimentos e elementos diversos para satisfazer as exigências da existência.

Espírito, princípio inteligente, obedecendo às leis cósmicas e particulares de cada estágio de mundo, serve-se então desses fluidos com características diferenciadas.

Destaca-se o perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, como um produto de enorme importância do fluido cósmico.

É a condensação desse fluido que envolve o foco de inteligência ou alma.

Corpo carnal tem igualmente princípio nesse mesmo fluido transformado e condensado em matéria tangível. Ambos são matéria ainda que sob estados diferentes.

Para cada mundo particular a ser habitado, o

Espírito forma (elabora) o invólucro apropriado, ou seja, sua vestimenta apropriada, constituído dos elementos tirados desse ambiente específico. Para cada mundo específico, invólucros específicos. Ao mudar-se de morada planetária, deixa-se também para trás suas vestimentas pertinentes.

Trânsito no cosmo está subordinado ao grau da ordem evolutiva do Espírito. Sendo o perispírito o veículo necessário para a sua permanência e vivência num determinado mundo, somente com a autodepuração, com a conquista do mérito e grau de conhecimento o Espírito poderá evoluir ou estacionar na escalada da supremacia de sua moral. Por isso não se consegue pulular de planeta em planeta à vontade.

Perispírito é formado com elementos fluídicos próprios do mundo onde se encarna e segundo a própria natureza do Espírito.

Corpo carnal daqueles que se encarnam na Terra, vindo assim habitá-la, é igualmente formado dos mesmos elementos, sem levar em conta a preparação do Espírito. Já os perispíritos são diferentes uns dos outros. É decisiva a superioridade ou inferioridade daquele que o forma.

Espírito tira de seu perispírito os materiais sobre os quais opera. Esses fenômenos especiais são perceptíveis e corriqueiros para ele.

O Ser encarnado não se apercebe desses fenômenos, pois não são próprios de sua estrutura sensorial. Somente quando o Espírito molda esses fluídos em grau de materialidade suficiente é que o Ser encarnado pode “enxergar” a tangibilidade da obra criada. Daí as visões belas ou medonhas que as versões populares ditam. Essas criações são em outras palavras: fotografias do pensamento.

Os fluídos espirituais são os meios de propagação do pensamento irradiado por um princípio inteligente. Assim como no mundo material, o ar serve para propagar o som, irradiado em moléculas.

O Ser espiritual, quando por qualquer razão, volta a um determinado planeta onde habitou anteriormente, mesmo que por diferentes épocas, o seu perispírito toma a forma (a “sombra”) corpórea da última vez, ou conforme for a necessidade do cumprimento de um propósito, de uma missão ou tarefa.

Por isso se diz: “no além não há segredos”. Diferentemente do homem encarnado que esconde suas intenções e pensamentos, o ser espiritual expõe (projeta) suas intenções e criações em seu próprio perispírito. Torna-se assim fácil leitura.

Nem tudo é dado saber ao Espírito. Os mais brutos e atrasados não conseguem per si saber o que se passa com os evoluídos em esferas superiores, mas o contrário é certo.

Esses fluidos tornam-se límpidos, etéreos, benéficos quanto maior for a pureza da fonte irradiadora. Passam um sentimento de paz, amor, harmonia, caridade e quando de fonte pervertida e desequilibrada passam vibrações de ódio, revoltas, violência, de pesadas conseqüências.

Ressalta-se que o perispírito é próprio do Espírito, sendo este encarnado ou não.

O perispírito recebendo as projeções mais íntimas de seu “hóspede” poderá passar saúde ou doença, liberdade ou escravidão, paz ou depressão, mais nitidamente quando no corpo carnal.

Há muito que se pesquisar sobre “aparições”, “curas”, e outros títulos inerentes aos fluidos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Atitudes que drenam energia

1. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

2. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

3. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica ”energeticamente obeso”, carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal -Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do auto-conhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

Novamente - posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d’água para acalmar o ambiente são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia. Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.

Marinheiro

Aos poucos eles desembarcam de seus navios da calunga e chegam em Terra. Com suas gargalhadas, abraços e apertos de mão. São os marujos que vêm chegando para trabalhar nas ondas do mar.

Os Marinheiros são homens e mulheres que navegaram e se relacionaram com o mar. Que descobriram ilhas, continentes, novos mundos.

Enfrentaram o ambiente de calmaria ou de mares tortuosos, em tempos de grande paz ou de penosas guerras.

Os Marinheiros trabalham na linha de Iemanjá e Oxum (povo d áqua) e trazem uma mensagem de esperança e muita força, nos dizendo que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e trabalho unido, em grupo.

Seu trabalho é realizado em descarregos, consultas, passes, no desenvolvimento dos médiuns e em outros trabalhos que possam envolver demandas. Em muito, seu trabalho é parecido com o dos Exus, os quais, também podem trabalhar nessa linha. Dificilmente um leigo irá notar a diferença entre os marinheiros e os Exus na ora da gira, pois os Exus vêm com todos os trejeitos dos Marinheiros e com outros nomes, é quase imperceptível.

Ôh, Zé

Quando vem lá da lagoa

Toma cuidado com o balanço da canoa

Ôh, Zé

Quando vem lá da lagoa

Toma cuidado com o balanço da canoa

Ôh Zé

Faça tudo o que quiser

Só não maltrate o coração dessa mulher.

Ôh Zé

Faça tudo o que quiser

Só não maltrate o coração dessa mulher.

Mas, quando se canta um ponto como o que está ai em cima, com certeza se sabe que um comprade está chegando na gira.

A gira de marinheiro e bem alegre e descontraída. Eles são sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Com palavras macias e diretas eles vão bem fundo na alma dos consulentes e em seus problemas.

A marujada coloca seus bonés e, enquanto trabalham, cantam, bebem e fumam. Bebem Whisky, Vodka, Vinho, Cachaça, e mais o que tiver de bom gosto. Fumam charuto, cigarro, cigarrilha e outros fumos diversos.

Em seus trabalhos são sinceros e ligeiramente românticos, sentimentais e muito amigos. Gostam de ajudar àqueles e àquelas que estão com problemas amorosos ou em procura de alguém, de um “porto seguro”.

A gira de marinheiro, em muito, parece uma grande festa, pela sua alegria e descontração, mas também, existe um grande compromisso e responsabilidade no trabalho que e feito.

*Ectoplasma e sua Utilização nos Terreiros*

Um dos elementos bioenergéticos mais utilizados por Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, seja em atividades curativas, harmonizatórias, e, também, em neutralização de demandas, é o nominado Ectoplasma.
O Ectoplasma, que tem despertado um grande interesse por parte das religiões mediúnicas e de cientistas de todo o mundo, é uma substância material, visível ou não, consoante sua quantidade e densidade, absorvida/produzida pelo corpo humano a partir da fusão e posterior metabolismo de quatro fluidos, quais sejam fluidos astrais (química astral);
fluidos da natureza (raios solares, raios lunares, gases etc.);
e fluidos orgânicos e inorgânicos de nosso planeta (minerais, vegetais e animais).
É de conhecimento também que o ectoplasma localiza-se nas células humanas, constituindo-se como uma parte etérica das mesmas. Esta matéria, que em alguns casos de acúmulo excessivo, apresenta-se como uma geléia viscosa, de cor branca, semi-líquida e que sai através dos principais orifícios do corpo humano (boca, narinas, ouvidos etc.), é um dos elementos integrantes de nosso corpo vital (duplo etérico), sendo o envoltório intermediário entre o perispírito (corpo astral) e o corpo físico. É odinamizador da parte bio-fisiológica do ser humano encarnado.
Dizem alguns que é encontrado em maior quantidade na altura dos centros deforça (chakras) Umbilical e básico. Não vamos nos ater a discorrer sobre o emprego de ectoplasma na materialização de espíritos e objetos, situações emque deve haver um grande acúmulo de ectoplasma nos doadores desta substância, mas sim na sua utilização por parte dos espíritos trabalhadores de nossa elevada Umbanda. Os Caboclos, Crianças, Exus e Pretos-Velhos (asquatro formas fluídico-perispirituais de manifestação de espíritos naUmbanda) costumam utilizar o ectoplasma de seus médiuns para os mais variados fins (lembre-se: espíritos não têm corpo vital, logo não têmectoplasma. Nos trabalhos de cura, costumam aplicá-lo nos centros de força dos assistentes, a fim de reequilibrar o fluxo energético (absorção e emanação de energias).
Nos trabalhos direcionados ao desmanche de baixa magia, as entidades potencializam a substância ectoplasmática, deslocando-se a lugares onde estáa origem material da feitiçaria (objetos vibratóriamente magnetizados), passando a manipular tais materiais, desmagnetizando-os e neutralizando as demandas. Devido aos espíritos utilizarem o ectoplasma humano em algumas tarefas onde há a necessidade deste fluido vital, muitos médiuns, ao término de uma sessão ou gira, sentem-se fatigados, cansados, exauridos de energia, e com apetite aguçado. Esta situação ocorre em grande parte, e em vários graus, conforme a quantidade sorvida, em razão da retirada de parte do ectoplasma do médium por parte dos espíritos trabalhadores. É uma contecimento natural, facilmente dirimido pela ingestão de líquidos como água pura, sucos, refrigerantes, comestíveis, e, se possível, um ligeiro repouso. Após um curto espaço de tempo o ectoplasma volta a seu nível normal.
O Ectoplasma ainda é assunto a ser mais explorado. A cada dia surgem novas informações sobre este nobre fluido que é de suma importância para a Humanidade.
O que se deve ter em mente, principalmente por parte dos médiuns sérios, éque a maior qualidade do fluido vital ectoplasmático está diretamente ligada aos hábitos do indivíduo, enquanto membro de uma sociedade heterogênea.
Portanto, é de suma importância que não se abuse de bebidas alcoólicas, fumo e sexo, que, se ingeridos ou praticados em demasia, poderão influenciar na maior ou menor eficácia de determinados trabalhos espirituais.

A linha dos Baianos - São as mais procuradas no Terreiro?

Uma das linhas mais vistas nos terreiros de umbanda. A linha de baianos se mostra com espíritos que sabemos que são verdadeiros trabalhadores. Cada baiano é um pau pra toda obra mesmo. Prestativos e sempre prontos para auxiliar as pessoas que lhes pedem ajuda. São regidos pela Orixá Iansã e sempre estão dispostos a nos tirar do sufoco. São espíritos muito “vividos” e por isso sempre têm bons conselhos a nos dar quando nos encontramos perdidos e sem saber que rumo tomar. Lembremos que têm como regente a Mãe Iansã, por isso são ótimos movimentadores, e quando estamos parados ou estagnados eles nos dão “aquele empurrãozinho” que logo nos colocam em movimento. Essa característica é muito intensa, já que a Mãe Iansã, regente dos baianos, tem dentro de suas principais funções, a função “Movimentadora”. Apesar de alguns demonstrarem um arquétipo brando, não gostam de ver nada parado e por isso são muito requisitados para arrumarem empregos pelos consulentes, seja para o próprio consulente ou para algum familiar dele. Trabalham a favor da luz desmanchando feitiços, quebrando magias negativas, desatando amarrações e desfazendo todo e qualquer tipo de trabalho feito contra os seus filhos de fé. Bem como diz este conhecido ponto:
“Se ele é baiano agora que eu quero ver, dançar catira no azeite de dendê…
Eu quero ver os baianos de aruanda trabalhando na Umbanda pra Quimbanda não vencer!”
Lembrando, a referência à Quimbanda se deve ao fato de que, provavelmente, na época que este ponto foi passado ser esta a denominação dada a uma seita que praticava magia negativa. Nesta época tinha-se Umbanda como “Magia Branca” e Quimbanda como “Magia Negra”. Voltando aos baianos, estes espíritos são muito requisitados nos templos Umbandistas e sempre atendem aos pedidos que lhes são feitos. É claro que dentro do possível e de seus limites divinos, mas até mesmo algumas coisas que parecem ser impossíveis eles conseguem. Alguns baianos trabalham com a cura e através de suas poderosas rezas, orações e trabalhos magísticos eles conseguem livrar os consulentes de doenças já diagnosticadas e algumas até mesmo “incuráveis”, mas é como dizemos:
“O que não curam os médicos do plano material, curam os do plano espiritual e o que não curam os médicos do plano espiritual, curam os do plano material.”
E tenham certeza, muitos baianos, assim como espíritos de outras linhas da Umbanda, são verdadeiros médicos. Mesmo apresentando um arquétipo típico de um povo sem “cultura”, simples e humilde, saibam que estes espíritos trabalhadores na linha da cura estudaram cerca de cinco vezes mais do que estudam os médicos do plano material. Isto se deve ao fato deles estudarem a ciência espiritual, e esta ciência é muito mais complexa e delicada do que a do plano material. No plano espiritual existem verdadeiras universidades de ensino e o espírito que se apresenta como “espírito da linha da cura” é um espírito que já passou por todos os níveis destas universidades e hoje ostenta o este grau. E isso se aplica a todas as linhas do ritual de Umbanda com exceção das infantis (Crianças e Exus-Mirins), pois estes se encontram em outro plano da vida e realizam curas através de outro processo, mas sabemos que existem Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros, Exus, Baianos e principalmente Preto-Velhos que atuam na linha da cura. Estes últimos (Preto-Velhos) são os que têm maiores numero de espíritos que atuam nesta linha, pois todos os preto-velhos são grandes curadores. Em uma matéria posterior comentaremos mais a respeito da linha da cura. Na linha dos baianos encontramos além de espíritos em intermediação, espíritos que em vida foram cultuadores dos sagrados Orixás. Alguns deles encarnaram no nordeste brasileiro e outros em outras regiões do mundo para onde também os negros africanos foram migrados. Assim como alguns baianos foram babalaôs africanos que por feição e grau evolutivo preferem atuar na linha de baianos ao invés de adentrar em uma das linhas de Preto-Velhos. “Salve o Povo Baiano!
É da Bahia meu Pai!”

Pomba gira

A entidade espiritual conhecida como Pombagira, representando o feminino, é causadora de espanto e incômodo e tem motivado diversos estudos que discutem a sua construção e funções, direcionando a importância do objeto para leituras de gênero. Ela se apresenta como um espírito de mulher que em algum tempo e cultura esteve no mundo e de alguma forma sofreu a opressão masculina. É comum serem apresentadas na condição de esposas machucadas, traídas ou violentadas, de filhas oprimidas, martirizadas ou de mulheres que ousaram romper, abandonando a família, e foram viver a outra opção (única) possível fora do lar: a prostituição.

Sua manifestação é ligada às praticas religiosas afro-brasileiras, compreendida pelo Candomblé e Umbanda. No entanto, sua figura tem alcance muito maior, podendo ser inserida ou adaptada em diversas formas culturais. É referenciada como ligada à sexualidade, viés por onde ela disputa poder com o homem. Sobre ela existe uma pesada carga de representar o mal e a necessidade de afastamento e controle. Esse controle é exercido através do preconceito e da crítica, apresentando a sua figura como causadora de distúrbios emocionais e morais que faz o mal a quem com ela estabelece relações.

Os trabalhos sobre a Pombagira apresentam-na como causadora de perplexidade e ambiguidade, dual e personagem de moral duvidosa. É classificada pelos detratores da religiosidade afro-brasileira como entidade do mal, causadora de distúrbios em pessoas, principalmente mulheres, nas quais é preciso eliminar a Pombagira, excluindo também comportamentos considerados fora dos padrões estabelecidos, como por exemplo, e principalmente, uma sexualidade aflorada.

Não há como não associar esse mal atribuído à Pombagira à sexualidade. O principal papel dela é o de mediadora das relações homem/mulher, atrelado às realizações materiais, tendo como ponte a estabilidade familiar. Contudo, não está ligada à maternidade e não prega a submissão da mulher, e sim o uso de armas femininas, principalmente sedução e malícia, como forma de dominar o homem. Ela é referenciada como a mãe, porém mãe protetora, aquela que cuida, sem necessariamente procriar. Ela cuida das questões materiais, ligadas aos problemas do cotidiano das pessoas. Isso se percebe na fala da entrevistada Rita, quando diz que na sua relação direta com a sua Pombagira a concebe como mãe duas vezes: foi ela quem lhe deu casa, a proteção, o sustento familiar, o sucesso e o dom de perceber as coisas para poder ajudar outras pessoas.

Percebemos uma grande dificuldade para definir ou entender a Pombagira em face dos adjetivos a ela conferidos. Contudo, supomos que o preconceito para com ela está relacionado a sua feminilidade fora dos padrões institucionalizados. A forma com que a Pombagira é apresentada desnaturaliza as construções sobre o feminino. A compreensão precisa ser feita buscando ultrapassar as construções cristalizadas. Ou seja, ela é o feminino, traz nas roupas, no discurso o papel conferido socialmente às mulheres. No entanto, toma emprestado elementos masculinos, como fumar, beber, seduzir, por onde busca exercer o poder.

Apreender os significados da Pombagira é um exercício de desconstrução dos saberes, conforme diz Tânia Sampaio, ao nos alertar para a problemática de certas leituras de cruzamento de gênero e religião. A Pombagira se apresenta aparentando o discurso institucionalizado e genereficado da cultura patriarcal. No entanto, funciona como uma brecha nesse saber cristalizado, agindo como desconstrutora. Ela questiona a condição subalterna das mulheres, fornecendo meios para que as mesmas conquistem seus homens provedores, e que tenham meios de enfrentá-los, causando algumas transformações que, ao mesmo tempo que parece subverter, reforça os papéis instituídos.

Quanto à perspectiva da pesquisa da apreensão das representações, conforme Pedrinho Guareschi, essa possibilidade se dá em diversos espaços: na casa, na rua, nas instituições, nos diversos espaços sociais e nos espaços de resistência. Entendemos a manifestação da Pombagira como um espaço de resistência.

A forma com que a Pombagira se apresenta parece ter uma grande dose de resistência tanto nas relações de gênero como nas culturais, apresentando-se como um espírito de mulher que em algum lugar num tempo passado viveu o seu drama pessoal na condição de mulher dominada ou subversiva e que por meio da manifestação espiritual provocada pelo estado de transe, mantendo tradições e abrindo caminhos, se apresenta como sendo uma mulher que supera a dicotomia entre o espaço público e o privado.

Ao estabelecermos as perguntas, tivemos em mente a apreensão das funções religiosas para acessarmos as funções no cotidiano das pessoas que se relacionam com a Pombagira. Uma das perguntas feita a todas as entrevistadas buscava uma definição da Pombagira e de como ela é construída para as pessoas que interagem com ela. Buscando entender mais essa figura controvertida, causadora de controvérsias, as nossas perguntas dirigidas às entrevistadas buscaram aproximar-se do objeto, tentando apreender as experiências individuais no processo de construção, caracterização e funções da Pombagira, assim como as suas representações. Para Fátima:
As Pombagiras foram as grandes damas de um passado muito atrás, mas muito atrás mesmo, e hoje elas estão cumprindo uma missão delas, resgatando alguma coisa que elas deixaram de fazer. Então, pra nós, elas representam o lado feminino, sexo feminino, entre o exu e a pombagira. Lado bem sexy. Elas são vaidosas, gostam de perfumes, gostam de coisas boas, e como falei antes, elas não trabalham somente para o mal, negativo. A cabeça da gente, do cliente, é que pede, às vezes, pede o negativo.

Assim, a Pombagira traz em sua formação a preservação da cultura das mulheres do passado, dos objetos que lhe representam, como o perfume, o lado bem feminino, sexy. A definição de Fátima nos remete ao trabalho de Marlyse Meyer, que traça o caminho percorrido pela cortesã ibérica Maria Del Padilla e o encontro com a religiosidade afro, formando a Pombagira tal como se apresenta hoje. Maria Del Padilla traz as características de mulher sedutora, feiticeira, manipuladora de magias para casos de amor, venerada como auxiliadora nesses casos. Tudo isso está presente na figura da Pombagira. Essa definição, pela forma com que algumas Pombagiras se apresentam nos rituais, com roupas de princesas, de rainhas, nos parece ser uma grande memória coletivamente conservada, nem sempre de forma consciente.

Fátima tem duas formas para definir a Pombagira. Na primeira, como dama do passado, o que seria uma definição histórica, provavelmente apreendida de fora para dentro. Na segunda definição, coloca a emoção, e nesse momento é como se ela e a sua Pombagira, ou seja, a entidade espiritual que tem como sua, se fundissem numa só pessoa. Ela diz:
Ela é maravilhosa, e por isso, como eu lhe disse, agora juntando, tem gente que diz que Pombagira só faz o mal, é prostituta, isso aquilo, representa a prostituição. Nada disso. Ela é maravilhosa, feiticeira, ela passa aquela energia, assim, faz a mulherada se sentir mais mulher, mais sexy. É isso. Eu gosto, que meus olhos chega brilha, né?
No mesmo sentido, com definição muito próxima, também fazendo referência ao fato de ser a Pombagira comparada a uma prostituta, Maria Otilia diz que:
A Pombagira é uma mulher como nós, que gosta de tudo que é bom. E acontece de muitas pessoas acharem que a Pombagira é uma prostituta, uma mulher que só trabalha para o mal. Mas ela ajuda muita gente, depende da formação espiritual de cada médium.
É importante observar que tanto Fátima como Maria Otilia falam da incorporação da Pombagira, mas também da apropriação dessa incorporação, observando que quem pede as coisas negativas são as pessoas que interagem com ela. Assim, elas nos sinalizam duas formas de incorporação da Pombagira. A “incorporação” do espírito, e a incorporação no sentido “bourdiano”, quando o mundo estruturado interfere no indivíduo.A entrevistada Rita tem uma definição marcada por elementos fortes, que apresentam a ambigüidade e a dualidade tão propalada na figura da Pombagira, ao dizer que:
Então, a Pombagira é isso, é o desejo da mulher. Os desejos escondidos em cada mulher. Ela é carne, ela é matéria. Ela não é um espírito incorporativo; ela é matéria pura [...] [...] Pombagira é os seus verdadeiros desejos, a coisa mais oculta que está dentro de toda mulher. Toda mulher tem desejos ocultos. Entendo, então, que como a sociedade ou mesmo as religiões controlou muito assim, elas se retraem, se escondem dentro delas mesmas. Aí vem o não saber nem mesmo que elas gostam realmente. Tá entendendo? É preciso que ela venha, que ela esteja nos terreiros. Elas são escravas do santos das cabeças e vivem ocultas, elas vivem escondidas.

A fala de Rita apresenta uma questão muito importante. É na sua fala que encontramos, na voz da Pombagira, essa outridade da mulher. Ela fala que há dentro de cada mulher uma outra mulher escondida pelas imposições sociais e religiosas. Essa outra mulher, ou essa metade escondida, aflora por meio da manifestação da Pombagira. Esse algo escondido na fala de Rita é a verdade escondida que a mulher não conhece e que a Pombagira coloca à mostra, que, conforme a entrevistada, libera, abre a cabeça das mulheres para que elas possam ser mais felizes.

Outra importante questão colocada por Rita é referente à condição da mulher, de ter que colocar algo pra fora que vem como uma explosão, algo do qual se perde o controle e que é representado por um poder contido, controlado. O poder que a Pombagira traz por meio da sua incorporação é um poder que a mulher não conhece, não controla e que Rita diz ser o que é proibido pela sociedade e pela religião. Ela nos remete a todos os controles institucionalizados da justiça, da igreja, da medicina, dos corpos submetidos sobre os quais Michel Foucault escreve.Principalmente o corpo da mulher duplamente submetido, pelas instituições e pelos discursos que perpassam a sexualidade.

A fala de Rita também nos remete ao seu aprendizado com o insucesso no casamento. A experiência ligada a sua vida, sexualidade e relacionamento afetivo, momento importante de transformação, onde é inserida a sua Pombagira como sendo quem a ajudou, quem a fez se descobrir como capaz e independente. Nesse momento, para Rita, a Pombagira se materializa na sua vida através de um momento de transformação, e que transita tanto pelo material como pelo simbólico. Da Pombagira ela diz que recebeu a casa onde vive, aprendeu a ganhar a vida, além do dom espiritual com o qual acredita ajudar as pessoas. Refere-se à sua Pombagira, ou seja, à entidade espiritual com a qual entra em transe, como parte integrante da sua vida cotidiana.
Muita coisa. Sofri muito com marido, e ela veio nesse momento da minha vida. Ela me deu casa, que eu não tinha; ela me ajudou a sustentar os meus filhos, me deu esse dom que não sei de onde vem, de perceber as coisas, de ajudar outras pessoas a se compreenderem também. Devo tudo a ela. Muita coisa boa ela fez por mim.
Quanto às observações de Rita, de não ser a Pombagira espírito e sim matéria, causou estranheza. Questionada sobre a afirmação, ela completa:
Porque acho que médium nenhum incorpora totalmente. Porque a gente não agüentaria tanta força, tanto poder encima da gente, e a gira, principalmente porque ela vem arrastando assim, fogo. De repente ela vem no meio de uma depressão, no meio de uma raiva que você não consegue colocar pra fora, ela explode você, dá um choque na mente, um desmaio, uma crise emocional, mas que é preciso. É preciso que elas venham, que estejam nos terreiros. Elas são escravas dos santos das cabeças e vivem ocultas, elas vivem escondidas. [17]

A origem da Pombagira foi encontrada, tanto na fala de Fátima quanto de Maria Otilia e Rita, na condição dela como escrava de santo, da sua africanidade. Mas Rita fala de outra mulher, que vive escondida, que sofre, que tem uma depressão que ao explodir expelirá fogo, elemento masculino. A Pombagira, para Rita, pode vir num momento de raiva, de depressão e isso nos indica que ela vem em momentos limites, em que a mulher vaza pelas frestas da opressão.

É importante pensarmos nesse transbordamento, nessa crise “histérica”, para novamente nos remetermos às observações de Michel Foucault sobre a sexualidade e sobre os mecanismos de controle do corpo mantidos pelas instituições. As mentiras institucionalizadas sofrem nesse momento a perda do poder, vez que um poder maior vindo do sagrado lhe confere legitimidade.

Quanto às funções da Pombagira, o seu papel dentro do ritual religioso teve respostas também, digamos, harmoniosas. Não parece haver conflito com relação a isso. Para Maria Otilia a “Pombagira é uma espécie de anjo da guarda, sempre bem próxima da pessoa que é bom, mas dependendo da pessoa, da cabeça da pessoa, pode fazer o mal.” Fátima explica que:
Dentro de qualquer parte espírita, umbanda, candomblé, etc, ela não deixa de representar uma defesa pra gente, que todos nos sabemos que temos um lado esquerdo e um direito [...] [...] do lado esquerdo estão eles são a defensiva pra gente. Eles nos defendem e nos livram de demandas, dessas coisas negativas que podem vir pra cima de nós. É como se eles fossem um escudo, desde que você ande direito com eles, cuide deles. Cuidar como? Acender a vela, conversar, tratar bem. Como falei anteriormente, eles também tem o lado deles brincalhão, eles gostam de brincar com a gente. Então, a função da Pombagira é fazer trabalho para cliente, a defesa da casa... orienta, ela orienta. Dependendo do que as pessoas pedem, elas ajudam, e desde que esteja ao alcance, porque tudo tem limites. Porque depois delas vem nossos orixás que elas são tipo umas escravas, então, eles são limitados. Porque tem gente que pensa assim: Pombagira vai fazer tudo que eu quero. Não é assim não. Elas vão fazer aquilo que você merecer e estiver ao alcance delas de fazer. Não é mágica não.
Mãe Rita observou que:
Eu entendo que ela vem para abrir tudo que está oculto, tudo que está escondido, tudo que está guardado. Ela vem para colocar pra fora. Esse é o trabalho dela. O trabalho dela é não deixar a sujeira em canto nenhum. Ela vai mostrando, ela sai rasgando tudo mesmo, onde estiver oculto, ela vai mostrando. Eu chamo ela de uma entidade até justa, não deixa de ser, porque ela manifesta toda verdade. Ela manifesta a vida, e a própria fertilidade, e eu acredito que é assim. Ela é luz que vem abrindo tudo.

Rita ainda observou que a Pombagira tem como função principal defender a mulher da opressão do homem, frisando principalmente as mais machucadas, observando ainda o fato de que grande parte das pessoas que procuram por sua Pombagira são mulheres maltratadas, largadas pelos maridos. Define a Pombagira como luz que ilumina, abre, manifesta a verdade, verdade essa oculta pela religião e pela sociedade.

Todas as entrevistadas frisam que a função da Pombagira é de guardiã, escudo, protetora, enfim, um anjo da guarda. Um anjo que protege e ataca. Que é bom e mal, dependendo da situação, ou da pessoa que interage com a Pombagira, tanto na condição de médium como de cliente. Também aparece como função a ajuda nas finanças, no emprego, e no caso da Pombagira de Fátima, gosta de fazer trabalhos para ajudar quem tem problemas com a justiça.

Fátima, ao definir a Pombagira, disse que a mesma representa o lado bem feminino e sexy, e que a característica dela é a vaidade. Seus objetos são os perfumes, as coisas boas, que a mesma é feiticeira e faz a mulherada se sentir mais mulher. Maria Otilia também nos apresenta como elementos representativos da Pombagira: os perfumes, jóias, bijuterias, vinhos, cigarro, maçãs vermelhas e uvas. Observamos que os elementos se repetem ou se cruzam. As duas mencionam perfume, que é elemento de sedução. A maçã é ligada à condição de ser feiticeira, cruzando um elemento que pode pertencer à outra. Maria Otilia disse que a Pombagira é uma mulher como todas. Rita apresentou a sua Pombagira ambígua, dual, matéria pura, mas que vive escondida dentro de cada mulher. No dizer de Rita, ela é a outridade da mulher, uma voz que fala entre a religião e a revolução, e é a voz das paixões e visões, que é de outro mundo, antiga, mas do hoje também.

Na fala das entrevistadas, a outridade da Pombagira se faz presente. Ela é um ser espiritual que interfere de forma material na vida das pessoas que interagem com ela. Ela incorpora, no sentido espiritual, com a manifestação do espírito por meio do transe, mas também permite que se faça uso dela como um símbolo de poder. Essa manifestação traz o que, para Rita, a mulher não conhece, e que ela observa como sabedoria e força.

Fátima, Otilia e Rita entendem que Pombagira está dentro e fora, que pode ser incorporada e que incorpora, e assim, fora do espaço ritual da manifestação da Pombagira, ela se faz presente na vida cotidiana das mulheres como uma personalidade oculta. Essa personalidade oculta é movida pela Pombagira, mas de forma interativa, onde a mulher busca nela a força, a coragem, colocando isso na sua vida diária, causando transformações na sua forma de viver. Para isso, a mulher toma para si os elementos de poder da Pombagira, o perfume, as flores, a bebida, as jóias ou bijuterias, ela recupera o lado sexy, acreditando-se dona de uma força vinda do sobrenatural que lhe possibilita enfrentar a condição subalterna socialmente imposta.

Reforçando o que nos diz Bourdieu,de que o mundo social é incorporado pelo mundo religioso, nos remetemos novamente a Stefania Capone , quando diz que por intermédio dos discursos da Pombagira os poderes religiosos, social, e sexual são constantemente questionados e que:
A figura da Pombagira se torna, com freqüência, o pivô de dramas conjugais, quando as relações entre os sexos são diretamente questionadas. Graças à fala do espírito, as mulheres-médiuns contestam a supremacia dos homens e chegam a impor suas próprias condições e renegociar sua posição subalterna.

Nossas informantes nos deram essa sinalização, a do papel da Pombagira como instrumento de contestação. A Pombagira é mulher e representa o poder. Poder enquanto feiticeira, guardiã, protetora, e, principalmente, mantenedora. Conforme a entrevistada Fátima, a sua Pombagira é quem sustenta a sua casa, o seu terreiro, e é quem faz a sua segurança pessoal e financeira. Assim, a Pombagira não é apenas uma entidade que incorpora nos terreiros para atender clientes, ou para causar estranheza. Ela incorpora no cotidiano das pessoas que interagem com a mesma, fazendo parte das suas vidas.

Em todos os casos a Pombagira é o centro para essas mulheres, e que de uma forma muito especial, pelos caminhos do sobrenatural, do espiritual, atuam no mundo material em um campo de conflito, que é a tensão entre os sexos. Sua mais variada forma de se manifestar nos permite dizer que existe uma variedade de Pombagiras, o que é perceptível pela forma com que se apresenta no espaço ritual. Trazem as diferenças nas roupas, nos nomes. Como nossas entrevistadas nos disseram, cada Pombagira tem suas particularidades. Essa variedade das Pombagiras quanto à forma com que se apresentam ou as suas especificidades nos remetem às observações de Sandra Harding de que não existem mulheres genéricas. A Pombagira também não é genérica e precisa ser compreendida através da desconstrução dos nossos paradigmas, que Tânia Sampaio prescreve como necessidade para uma interlocução. Embora ela apresente características universalizantes da mulher atrelada ao homem, sua imagem aparente é o avesso da mulher que poderíamos chamar de “formatada” para ser a mulher ideal. Ela é transgressora, porque dentro do processo de luta e busca de ocupação de espaços pelas mulheres os caminhos foram os mais diversos, porque para ocupar esses espaços foi necessário o uso de armas muito variadas, como a sedução, a dissimulação, e o enfrentamento.

A Pombagira manifesta-se trazendo características performáticas nos seus discursos. Conforme Michel Foucault, o sexo no século XIX é tratado com pose como forma de desafiar o estabelecido, subversivamente, mas que está associado a nossa vontade de saber, a nossa necessidade de conhecimento. A Pombagira se apresenta subversiva, transgressora, e apresenta a sexualidade como fator importante do seu poder, e ainda inverte os papeis estabelecidos, sendo ela a seduzir, papel instituído como masculino. Os papéis instituídos sofrem algumas alterações por um viés sutil, que passam pela sexualidade, onde elementos de poderes de sedução masculina se misturam com os femininos, como cigarro, bebida, perfume, flores. O ponto principal de atuação da manifestação passa, conforme Pierre Bourdieu, por onde está incorporada de forma inconsciente a nossa percepção.

O que também foi possível perceber, com a realização dessas três entrevistas, é que a função da Pombagira dentro das práticas religiosas é muito ampla. Enquanto feminino do exu, ela, assim como ele, tem a função de “escrava”, aquela que faz serviços e está sob o comando de superior, no caso os orixás. É também a proteção, o escudo, e isso se apresentou na fala de todas as sacerdotisas entrevistadas. Assim, a Pombagira é definida como uma entidade vinculada aos cultos africanos, cuja função é a de fazer o trabalho pesado. Sua função é a de escrava de orixá, apresentando-se assim a multiplicidade hierárquica das divindades da religiosidade africana. Nesse sentido, observa Stefania Capone:
Assim, ainda que a maioria dos médiuns afirme que a Pombagira é uma criação tipicamente brasileira, ela pode ser reinterpretada e legitimada como a “escrava” de uma divindade, isto é, como um exu africano.

O encontro com o elemento da cultura afro, feminino de exu, também com atribuições de cuidar dos assuntos materiais, como trabalho, sucesso profissional e da sexualidade, facilitou a assimilação e junção, haja vista que essas atribuições de mulher de negócios e protetora familiar eram comuns às mulheres africanas, e cujas práticas de feitiçaria estavam ligadas à proteção dos filhos. Desta forma, a ligação ou a origem da Pombagira parece ficar explicada pela sua origem africana e pelo seu cruzamento com a religiosidade européia, resultando numa figura sincrética. No entanto, pela sua grande diversidade, seja na forma com que se apresenta, com vestimentas de vários povos e culturas, trazendo histórias pessoais das suas vidas quando viveram na terra, parece ultrapassar o sincretismo para nos apresentar uma variedade dentro do fenômeno.

Sua função é de defesa e de ataque, se preciso for, mas essa definição não basta. Vamos acabar percebendo que a Pombagira apresenta-se nas formas mais variadas, ultrapassando o sincretismo, ou a dualidade. A Pombagira não cabe apenas nessa afirmação, de que é sincrética, de que é dual e ambígua. Ela apresenta-se nas mais variadas formas, podendo ser loira ou morena, velha ou menina, ter olhos azuis ou ser negra. Pode ser cigana do oriente, ou até vir da Índia ou da Espanha. Sua origem da religiosidade africana com a cultura européia é pouca quando temos que explicar o que são as ciganas, o povo do oriente, as baianas, as Princesas de Jurema, etc.

Isso nos remete ao conceito de hibridismo de Nestor Canclini, que pode traduzir mestiçagem, sincretismo, fusão, para designar misturas particulares. A Pombagira, nesse sentido, parece se apresentar como um ser híbrido. Sua figura, que teoricamente seria da fusão da religiosidade afro com a cultura européia, ultrapassa essa explicação quando se torna múltipla em formas e características, tornando-se difícil a sua apreensão e definição. Sua construção é coletiva, mas sua assimilação é individual. Cada uma das entrevistadas tem a sua maneira muito especial de se relacionar com a Pombagira, onde aparece aquilo que nos permite dizer, com Canclini, que a Pombagira é uma figura de misturas particulares.

Se nossa intenção era a de perceber se na manifestação da Pombagira estavam presentes os discursos e as tensões de gênero, isso ficou claro. Também tínhamos hipóteses quanto as suas funções e características, e as nossas três entrevistadas pontuam uma diversidade, mas que possuem o mesmo fio condutor, o da feminilidade e da Pombagira como instrumento da mulher na luta pelo e contra o homem. O ponto comum em todas elas é a definição quanto à característica de escrava do santo apresentada pelas três entrevistadas. Outro ponto interessante que aflora na fala de Otilia é a definição de que “a Pombagira é uma mulher como nós”; na fala de Rita, “a Pombagira é a coisa oculta que está dentro de toda mulher”; para Fátima, “ela representa assim o lado bem feminino”. Assim, a Pombagira, que é algo oculto dentro das mulheres, é uma mulher igual a todas às mulheres, é o lado bem feminino. Elas gostam de coisas boas, como perfumes, batom e ajudam as mulheres na vida amorosa e financeira.

A fala de Rita diz que a Pombagira não é espírito incorporativo, mas todo o tempo foi marcado pelo sobrenatural, quando ela indicou a presença da Pombagira na entrevista, nos informando que a mesma se fazia presente. Disse também que a Pombagira é matéria pura, mas é coisa oculta. Ela fala ainda que a Pombagira manifesta a fertilidade, fala da manifestação para mostrar coisas escondidas, mostrar a verdade, e essa verdade está ligada a condição subalterna da mulher quando diz que suas clientes são as mulheres maltratadas e machucadas pelos maridos. Ela é ainda o que Fátima, Rita e Maria Otilia descrevem: Um ser feminino, que trabalha para as mulheres. Nesse sentido lembramos uma das falas da Pombagira durante os rituais. Elas dizem: “Eu gosto de home, mas trabalho é pras muié”. Isso indica que a Pombagira é uma mulher que luta a favor da causa das mulheres, muito embora esteja na sua palavra aquilo que faz parte do pensamento cristalizado, gostar de homem, lutar para ter um. Mas ela ensina às mulheres a se manterem, uma vez que ela é mulher e é mantenedora dessas mulheres.

Em “Negras, Mulheres e Mães”, Terezinha Bernardotraz importantes observações sobre o processo da construção do feminismo no Brasil, especificamente na cidade de Salvador, tendo como contraponto a religiosidade afro-brasileira e a presença das mulheres baianas no espaço religioso e público. Conforme Terezinha Bernardo, esse é o momento em que as idéias feministas representadas pelas mulheres conseguem abrir brechas para o movimento feminista. As observações de Terezinha Bernardo são importantes, vez que a literatura religiosa observa o surgimento da Pombagira, enquanto ser espiritual, na década de 30 do século XX. A bibliografia religiosa apresenta o seu surgimento por meio da figura de uma moça, filha de família nordestina, que questionou o poder patriarcal. Da sua história surge Maria Molambo, pombagira, que junto de Maria Padillha, vai comandar e arregimentar as Pombagiras, espíritos de mulheres. O drama da Pombagira é a condição da mulher e sua principal função é trabalhar para e pelas mulheres. Às vezes se apresenta de forma caricata, trabalhando para ter o homem sob o seu poder, seja material ou sexual.

Para Reginaldo Prandi, a Pombagira representa a possibilidade de alcançar aquilo que o cotidiano das pessoas não permite, porque para ela não existem desejos impossíveis ou proibidos. Ela é associada ao mal, porém esse mal não é explicado, estando associado aos poderes sobrenaturais de enfeitiçar e dominar os homens, e nisso está embutido os desejos proibidos das mulheres, ligados à sexualidade reprimida e a desobediência ao poder masculino. O sexo, que na vida cotidiana é tratado como futilidade, como pecado, como algo proibido, na figura da Pombagira é liberado, assumido também como direito feminino, e por isso elas lutam pelo homem, mas também contra a forma instituída de ser propriedade do homem. São referenciadas como a mulher de sete maridos, que conforme Stefania Capone, pode significar não ser de ninguém.

Stefania Capone fala ainda da possibilidade de transformações através das práticas mágicas, representadas por exu . Isso não se pode ignorar. No que se refere à manifestação da Pombagira enquanto entidade espiritual e personagem, ela traz em si discursos de mudanças, ao questionar os papéis instituídos, ao colocar a mulher em condição de igualdade com o homem. Também exerce o papel principal, que é o de mantenedora das mulheres que aprendem a se relacionar com ela, conforme observamos com as nossas entrevistas. Tanto para Fátima, como Rita e Maria Otilia, as Pombagiras são as entidades espirituais que cuidam da parte financeira das suas casas religiosas.

As nossas entrevistadas nos dão também o sentido de que a Pombagira age como uma protetora das mulheres, uma espécie de anjo da guarda, cuidador que é bom e ruim, que pode ajudar, mas que também pode castigar, tornando-se um anjo mal, com atitudes erradas e resultados ruins. Conforme nossas entrevistadas, para que a Pombagira ajude é preciso que ela seja agradada, que ela seja cultivada todos os dias, e que haja uma cumplicidade entre a mulher e a Pombagira, uma consciência do seu papel e poder. No sentido de cotidiano de Michel De Certeau, a pombagira interfere no dia a dia de fadiga e cansaço tão separado da vida da rua, onde moram os desejos. É para lá que ela transporta as mulheres que interagem com ela. A pombagira, no sentido dado por Michel De Certeau, é como uma arte de fazer. Ela pode ser transformadora do cotidiano das mulheres, uma arte de viver.

Portanto, arrancar da mulher a sua Pombagira é arrancar dela a capacidade de se nortear, de se mandar, de possuir poderes. A Pombagira, pela fala das nossas entrevistadas, é a mulher de dentro da mulher, que não pode ser mandada, que não é controlada, que, por isso, representa a desorganização da ordem instituída no mundo dos homens. Por isso, ela precisa ser controlada, extirpada como forma de controle desse corpo marcado biologicamente.